Temos a tendência de sempre pensar negativo. Isso é natural para o nosso cérebro, já que ‘são as experiências negativas, e não as positivas, que normalmente têm mais impacto na sobrevivência.’

Essa informação, uma entre tantas que hoje a ciência conhece sobre o funcionamento do cérebro, é do livro O Cérebro de Buda, do psicólogo norte-americano Rick Hanson.

Quando comecei a prestar atenção à repetição instântanea desse padrão, pude analisar como eu mesma havia criado obstáculos ao meu sucesso na carreira de empreendedora. Detectei 5 comportamentos nocivos ao meu sucesso, que compartilho agora com vocês.

Sempre fui do tipo certinha. Boa aluna, boa funcionária. Depois de 17 anos trabalhando em diversas empresas de comunicação (minha primeira formação é a de jornalista) me vi tentando uma nova carreira cujos primeiros dois anos foram de total imersão na nova área. Foi muito legal, porque considerava que era um período sabático.

Decidi estudar a fundo e buscar formações na seara da espiritualidade, algo que sempre fez parte da minha vida, desde criança. Eu costumo contar nos meus cursos como foi minha experiência quando minha mãe me levou para fazer uma imersão de um fim de semana em um grupo de estudos conduzido pelo Luiz Antonio Gasparetto. Tinha 9 anos e me lembro perfeitamente de um exercício de empoderamento que nunca mais saiu da minha cabeça. Não vou contar aqui, porque só fica engraçado ao vivo, quando faço minhas caras e bocas de espanto!!!!! Enfim, foram muitos cursos, escolas, vivências, reflexões até os 37 anos. Sim, decidi empreender aos 37 anos.

Outra hora conto todas as formações que fiz depois (foram muitas!). Vou resumir contando que hoje sou coach de bem estar. Eu ajudo as pessoas a encontrarem paz de espírito, ter uma dinâmica mental mais saudável, aprender a relaxar e a harmonizar suas casas e vidas com o uso de técnicas que aprendi e aprendo com professores do mundo todo.

Cometi diversos erros nessa trajetória, que foram sendo corrigidos aos poucos, como numa acerto de rota mesmo. Não foi fácil entender quais eram meus principais desafios e, mesmo depois, aceitar que tinha essas limitações.

1-Jogar o passado fora, querer esquecê-lo

Quando decidi mudar de área, estava estressada e desmotivada com a profissão de jornalista. As longas horas diárias trabalhadas e a repetição dos assuntos não tinham mais nada a ver com meu novo propósito de vida. Passei a encarar o que fazia como supérfluo, dispensável e decidi que apagaria o jornalismo da minha vida. Até mesmo meu papel como consumidora de outros produtos (tv, jornais e revistas) diminuiu drasticamente. E durante algum tempo, nem conseguia chegar perto do computador para escrever. Hoje, depois de conseguir descansar, refletir

e reorganizar a mente, percebo como a facilidade de comunicação, oral e escrita, me ajuda nos contatos. Fico feliz quando meus clientes elogiam a maneira simples e eficiente com a qual explico conceitos e procedimentos, além de citar outras fontes de estudo, como cursos, autores e palestrantes. Ou seja, uni talentos que usava numa área com os conhecimentos da nova profissão e isso se tornou um diferencial importante.

2- Esquecer da sua rede anterior

Como queria apagar da memória meus tempos de jornalista, é claro que não conseguia pensar em me relacionar com as pessoas com quem convivia. Não tinha nada de pessoal. Eu apenas não queria ouvir nada que me lembrasse da antiga profissão. Hoje retomando alguns contatos, percebo como poderia ter aprofundado algumas relações, levando-as para outros patamares. Afinal, fora do trabalho, as pessoas têm outros interesses e, com certeza, minha nova profissão de coach de bem estar poderia ajudar muitas delas. Além disso, tinha construído relações sólidas com algumas pessoas que me admiravam profissionalmente e que poderiam ter me apoiado no começo da nova função.

3-Achar que você não vale nada porque é nova na área

Começar de novo é duro. Em tudo na vida. Seja uma dieta ou um relacionamento, imagina uma nova carreira. Pensando nisso, passei muito tempo tempo achando que não era qualificada para começar a atuar de fato como coach. Por isso, emendava um curso no outro, fazia alguns simultâneos e dedicava todo tempo livre à leitura de temas e assuntos relativos à profissao. Sabe o que aconteceu? Fiquei estressada com a nova carreira antes mesmo de começar a trabalhar. Quando percebi essa dinâmica, meditei, refleti e decidi criar coragem para contar ao mundo o que eu andava fazendo. Foi ótimo. Recebi apoio de pessoas que nunca imaginei.

4 – Criticar a si mesmo por não ter tomado a decisão de empreender mais cedo

Como muitas pessoas, pensava que escolheria uma carreira, que seria bem-sucedida nela e pronto. Felizmente os tempos mudam e cada vez mais pessoas podem começar e recomeçar quantas vezes quiserem. Apesar de querer a mudança, estava ciente do esforço que seria me reinventar. Percebi como ficava me criticando por não ter tomado essa atitude antes. Percebi também como usava isso como desculpa para não fazer o projeto decolar. Postergava decisões, tarefas, encontros. Um dia, me dei conta que nem como jornalista me sentia completamente realizada e passei a usar como ensinamento uma frase do escritor americano Robert Collier: O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia.

5- Não estudar sobre o empreendedorismo em si

Empreender é uma carreira por si só. Principalmente quando burocracia e obrigações legais podem determinar o sucesso ou fracasso do projeto, como no Brasil. Abrir empresa, aprender sobre custos e tributos, ganhar habilidades para

divulgar o projeto. E mais: aprender sobre a natureza do seu negócio e sobre o mercado no qual ele se insere, descobrir seu próprio potencial criativo (o que vai muito além de uma ideia), como administrar o tempo fora de uma instituição, fazer e encerrar parcerias. Enfim a lista de habilidades que precisamos aprender ou desenvolver é imensa. Decidi fazer um curso na área e depois busquei parceiros em áreas nas quais não tinha aptidão ou não teria tempo para me dedicar.

Michelle Achkar é coach de bem estar e espiritualidade, fundadora da empresa Espaços que Curam.