Um título é a porta que se abre ao leitor para dar (ou não) continuidade à leitura de um texto.

E isso não é exclusividade da era digital: desde os primórdios do jornalismo um bom título “vende” a matéria. Nomear um texto não é algo tão simples: exige simplicidade, concisão e clareza, mas também deve ser atraente e ter pontuação correta.

Vamos analisar rapidamente os seguintes títulos de um portal de notícias (www.uol.com.br):

Rio tem mais de 700 mortos pela polícia, pior marca desde o 1º ano com UPPs

Fogaça bota pressão e vira “lobo mau” ao testar prato

O primeiro me parece longo demais, tem dois numerais e uma sigla, formando um conjunto de informações a serem digeridas pelo cérebro, para que num curto espaço de tempo (em alguns segundos) o leitor decida se vai ler ou não o texto. O segundo título usa o verbo “botar” como sinônimo de “colocar”, o que pode levar à perda de interesse pela notícia diante de uma linguagem quase grosseira em assunto relacionado à gastronomia (afinal, quem “bota” ovo é galinha!).

LER OU NÃO LER?

Com tantos blogs e posts em redes sociais, surge uma dúvida: será que os autores dos textos se preocupam com o título ou acreditam que o mero fato de compartilhá-los com amigos numa fanpage é o suficiente para que todos leiam? Muitos redatores, bem sabemos, desconhecem o valor de um bom título.

Se você é uma dessas admiráveis pessoas que se preocupam com a qualidade do que escreve, que revisa antes de publicar algo, dedique alguns minutos também ao título:

  • Está curto e atraente?
  • Convida à leitura?
  • A sigla usada está correta?
  • Há concordância verbal e/ou nominal?
  • Esse hífen ainda existe?

Esses detalhes tão pequenos podem ser decisivos, o verdadeiro match point entre o LER e o NÃO LER o texto que você preparou, com a mensagem que quer transmitir.

Tila Pinski
Jornalista
(12) 98868.4702
tilabrasil@gmail.com

 

Imagem: Pixabay