Estive no Lide – 3º Fórum de Educação e Inovação e esses eventos são muito engrandecedores. Ao mesmo tempo em que me sinto inspirada, eles me provocam reflexões e emoções sobre a educação. Daí nada melhor do que escrever e compartilhar ideias para checar quais opiniões se fundem com a minha e quais podem complementar.

A primeira provocação do dia, feita pela Viviane Sena, foi: como será a educação em 20 anos? Como será o mundo daqui a 20 anos? Fico feliz em ter a mesma visão de uma pessoa tão admirável. Não podermos educar crianças do século 21 com o modelo prussiano de produção do século 20. E a formação dos professores? Ouvi aqui que 47% dos professores não tem a formação necessária para a aula que ministra. Como então eles e elas vão inspirar as crianças à sua frente?

As falas do Fabio Coelho (presidente do Google Brasil) e da Paula Bellizia (presidente Microsoft Brasil) trouxeram temas importantes como a importância de escutar que os jovens não querem mais seguir carreiras quadradinhas e pré-definidas como as gerações anteriores. Hoje, esses jovens procuram projetos e não carreiras, compromisso e não confiança, proposito e não recompensa, engajamento e não hierarquia.

Como podemos encarar a escola como um ambiente colaborativo, onde os professores são canais, são empreendedores do ensino, donos do seu negócio e os alunos de forma construtivista, colaboram no aprendizado e na realização da aula, para que aquele conteúdo seja melhor absorvido?

Uma pesquisa feita pelo “The Economist Group” mostra que as habilidades mais exigidas hoje no mercado de trabalho são: resolução de problemas, trabalho em equipe e comunicação.

Como vamos preparar as crianças que estão na escola hoje para empregos que ainda não existem? Fico observando as mães do colégio do meu filho e de tantas outras mães em discussões sobre qual a melhor escola que aprova no vestibular enquanto deveriam estar debatendo sobre o formato do ensino e profissões que nem sabemos que vão existir em 10 anos.

Mozart Neves Ramos, um dos maiores especialistas em educação no país e hoje conselheiro no Instituto Ayrton Senna, traz novamente essa provocação tão pungente em relação aos educadores. Como mudar esse modelo? Onde e como investir para que os educadores tenham o nível de profundidade adequado para inspirar os alunos a absorver o conhecimento, algo tão importante para as suas vidas e a construção de caráter de cidadãos que serão os futuros presidentes, médicos e contribuintes da sociedade?

E aproveitando que as eleições estão aí na porta, não posso deixar de perceber que nunca se ouviu tão poucos políticos falando de educação. Percebam que todas as plataformas e promessas (sim, elas continuam por aí sem serem cumpridas) de todos os políticos passam por saúde, segurança, transporte e multas. A própria sociedade não tem a consciência e não cobra da classe política projetos sérios e consistentes da área da educação. A miopia é não entender que com educação, teremos mais saúde e mais segurança, uma vez que os indivíduos saberão lidar melhor com essas questões e terão oportunidades melhores do que as atuais.

O resultado do IDEB 2015 (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) divulgado na semana passada mostra que o ensino médio no país continua medíocre. A nota de 3.7 é a mesma desde 2011 e o desempenho em matemática é o pior desde 2005. Não vou me alongar na análise da pesquisa, mas trago somente os dados alarmantes para finalizar a provocação com a qual comecei essa reflexão baseada nas falas da Viviane e dos outros executivos que participaram do congresso.

Alguns municípios brasileiros conseguem fazer a diferença no meio da mediocridade e atuar de forma pratica a melhorar sua qualidade e forma de ensino. Temos exemplos aqui e em muitos países do mundo de como a educação pode ser transformada e agir como propulsor de mudança nas comunidades.

Olhando para trás, não há perspectivas muito boas de como estaremos em relação ao tema da educação daqui a 20 anos, mas com consciência e cobrando resultados efetivos para uma mudança que proporcione resultados efetivos no sistema de educação brasileiro, talvez em 20 anos esse texto passe a ser uma boa recordação de tempos passados.

Gabriela Szprinc responsável por PMEs PayPal Brasil

Imagem: Pixabay