O termo consumo consciente está muito em evidência e abrange todas as áreas de nossas vidas.

Cada ser humano tem suas características e experiências pessoais e com o decorrer do tempo vai moldando seu estilo de vida. Quando você quiser se conhecer, de verdade, repare o que, com que frequência e porque consome. As vezes compramos demais para ter uma imagem diferente da realidade. Outras vezes gastamos recursos para suprir alguma necessidade interna. E tudo isso pode ser observado e explicado reparando em suas faturas e notas fiscais.

Muitas pessoas não conseguem viver com o que ganham, por não perderem 5 minutos do seu tempo fazendo um planejamento do que gasta e o que, realmente, precisa. Nem tudo que queremos, necessitamos! Isso é um fato.

Comece planejando suas obrigações. Liste tudo o que PRECISA para sobreviver: as contas como supermercado, energia elétrica, aluguel, condomínio, gás, telefone, celular, internet… Em seguida analise os valores que você contratou.

Muitas vezes agimos no impulso e não percebemos que fechamos um pacote cheio de coisas, que não usamos metade. Tudo é negociável e qualquer “economia”, ou melhor, dinheiro de crédito é válido. Lembrando que sobrevivência é algo bem variável e deve ser levado com bom senso.

Todo ser humano necessidade de um teto, recursos básicos e alimentação. De acordo com a vida pessoal/profissional, esse indivíduo vai necessitar de mais alguns recursos. Para alguns ter telefone fixo será jogar dinheiro fora. Por isso, essa análise deve ser feita com calma e de tempos em tempos.

Nossa vida é feita de ciclos e tudo pode mudar. O próximo passo é reconhecer os seus desejos. Se você é daqueles que sai bem cedo de casa e só volta no final da noite e mal passa os finais de semana em sua residência, talvez assinar um pacote completo de TV a cabo seja incoerente. “Ah, mas eu amo esporte!” Será que compensa pagar o pacote com 100 canais para assistir umas 10h semanais de programa? E por aí vai.

Ter consciência dos seus gastos começa com um bom controle financeiro. Não estamos debatendo se temos ou não dinheiro. Estamos analisando utilização e desperdício dele. Essa consciência tão almejada é ampla.

Suas escolhas podem influenciar diretamente a sociedade que você vive. As vezes, nos preocupamos com o lixo que produzimos. Poluição é algo muito sério no mundo moderno. Mas será que fazemos coisas concretas para amenizar esse problema?

Aí você vai me dizer: Mas eu faço coleta seletiva. Mas por outro lado não se preocupa com o desperdício de água no seu dia a dia.

O principal problema entre os consumidores, é agir sem pensar. É comprar o que não precisa só porque estava barato. E a maior desculpa que damos é: “ah, mas eu economizei metade do preço.” Na verdade, você deixou de gastar 100 reais, para gastar 50. Não deixa de ser um gasto. Economia seria se você conseguisse encontrar algo de que precisa com preço mais baixo.

No Brasil, não temos a ideia de conscientização do consumo difundida. Raros são os casos de pessoas que procuram saber de onde veio o produto/serviço pago. Já parou para pensar o custo real de cada item? Você sabe se paga um valor dígno por tudo que consome ou estão sendo “roubado”? Ele é caro ou barato por agregagar quais valores? É vantagem produtos ilícitos já que garantem uma economia? Sua marca favorita de roupa utiliza de alguma prática desumana para produzir seus produtos? Você compra gato por lebre?

Muitas marcas nacionais compram e utilizam matéria-prima e mão de obra da china por ser mais barata e superfaturam preços simplesmente pelo status. Passei por isso dia desses. Sou apaixonada por uma marca carioca. No geral, sei quem são os donos, estilistas, onde fica sua fábrica e como produzem. Sempre achei caro demais para a nossa realidade, mas esperava as liquidações para conseguir ter alguns itens-desejo. Por ter, aquela certeza de que a fabricação era nacional, eu nunca olhava a etiqueta. Mas um belo dia, separando minhas roupas para lavar, me deparei com os dados de fabricação em uma blusa. Para minha surpresa, aquele item foi confeccionado na China. Nada contra produtos chineses. Tem uns muito bons. Porém, é a propaganda de “valorizar o nacional”?! E se foi feito com trabalho escravo?

Alguma vez você parou para saber quanto paga de impostos pelo que compra?

Existem produtos que as taxas somadas dão 90% do valor que você paga? E esse valor? Vai parar onde?

Priscila Cardozo
Engenheira de Software
CEO e Fundadora do Bazar Tem Quem Queira
Consultora de Imagem e Estilo
Personal Organizer
Colunista e Escritora

 

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